sábado, 14 de fevereiro de 2015

Liberdade de imprensa

Um tópico sobre a liberdade de imprensa: nos ídos de 1800, os interesses dos estadunidenses sulistas faziam silenciar os jornais acerca da Revolta dos Escravos na Virgínia (perigo de difusão da revolta); no pós-1964 brasileiro, a Rede Globo de televisão (também os jornais do grupo) maquiavam a ditadura com entretenimento alienado; em 2015, um comando editorial proíbe, nessa mesma emissora, de serem tratados certos assuntos (nomes e partidos políticos determinados), enquanto a novela só trata de tragédias pessoais. Essa linha do tempo exibe com clareza: jamais houve uma mídia democrática; os mesmos interesses alienam, inclusive, as próprias vítimas dos regimes de opressão (escancarados ou maquiados).

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Congresso: qual dinheiro, qual interesse? - Jornal NH

Congresso: qual dinheiro, qual interesse? [Jornal NH]

O Estado de S. Paulo divulgou, essa semana, dados referentes às doações de empresas privadas aos parlamentares federais. A publicidade dessas informações não podia ser mais reveladora: empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato doaram para quase todos os partidos, especialmente PT, PSDB e PP (o PSOL nada recebeu). Queiroz Galvão doou mais de R$ 9 milhões; UTC e Odebrecht, mais de R$ 6 milhões; Andrade e Gutierrez, mais de R$ 10 milhões; Engevix, mais de R$ 2 milhões; e assim por diante. Se isso não significa, imediatamente, envolvimento dos partidos donatários com o esquema de corrupção deflagrado pela Polícia Federal, ao menos indica quais são os interesses prioritários do Congresso e quais as chances da reforma política ser aprovada. Ainda sobre os interesses advogados no Congresso: a JBS/Friboi, apesar de ter investido pesado em publicidade no último ano, não deixou de doar mais de R$ 55 milhões para quase todos os partidos, inclusive destinando uns trocados (pouco mais de R$ 1.000,00) ao Partido Verde, inobstante a problemática do consumo excessivo de água pela gigante do ramo alimentício. Os bancos – que, apesar da crise, tiveram um aumento de lucro maior do que 25% no último ano – também fizeram generosas doações. Quem mais doou? Braskem, Vale, Gerdau, Seara, Iguatemi Shoppings, mineradoras, etc. Pois bem: uma das bandeiras da reforma política é, justamente, o fim das doações privadas aos candidatos. A reforma é votada, contudo, por esses mesmos parlamentares beneficiários da verba privada. Quais as chances de ser aprovada somente contando-se com o bom senso dos deputados e senadores? Afora outras coisas, farras de aumento de salário, aprovação de aposentadorias ilógicas e exorbitantes gastos adjetos dos representantes do povo mitigam vertiginosamente as possibilidades de esse importante marco democrático vir a acontecer. É uma troca justa a que faz o Parlamento e a iniciativa privada: dinheiro pela defesa de interesses oligárquicos. Contudo, nada disso é ilegal. Receber de uma empresa valores para custear uma campanha é facultado por lei e aceitar ou não depende da ideologia do partido e do caráter político dos candidatos. Por isso, a reforma política deve ser conduzida para exterminar da democracia o arraigado esquema de interesses particulares e de troca de favores, o mesmo que faz com que, mesmo dentro da lei, tenhamos aprovado na Assembleia gaúcha uma aposentadoria mensal de mais de R$ 20 mil com carência de apenas oito anos. Quanto à aprovação da reforma: só com muita pressão popular, com engajamento concreto. Protestar sem compromisso com a causa de todos é pura monadologia.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Raio X do trabalho escravo no Brasil

Em 20 anos, quase 50 mil pessoas (95% delas é homem) foram resgatadas de trabalhos escravos. A pecuária responde por 29% desse total e a produção de cana de açúcar 25%. O trabalho não para, e a cada ano novas situações de escravidão são descobertas no Brasil.